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VIDA EM MARTE
Uma frota de naves terráqueas se aproxima do planeta vermelho. A missão? Encontrar vestígios de vida marciana
Quatro naves deixam a Terra para espionar e coletar a maior quantidade possível de informações sobre a atmosfera e a superfície do planeta vermelho. Duas delas, sob a sigla Mars Exploration Rivers (jipes de exploração de Marte) foram construídas pela agência espacial norte-americana, a Nasa, para serem lançados entre junho e julho deste ano. A terceira, a Mars Express (expresso de Marte), que partiu com sucesso em 3 de junho, foi produzida por um consórcio de países europeus. Por fim, deve finalmente chegar a Marte a nave japonesa Nozomi, lançada em 1998, mas que, por uma série de problemas técnicos, só completa sua jornada em janeiro de 2004.
A essa frota de naves terráqueas vão somar-se duas outras que, neste momento, estão na órbita do planeta vermelho: a Gars Global Surveyor e a Mars Odyssey, ambas da Nasa. Os lançamentos quase simultâneos das três últimas missões se dão por razões técnicas.
A cada dois anos, as órbitas de Marte e Terra, se aproximam até atingir sua distância mínima de 80 milhões de quilômetros. Em outras épocas os dois planetas podem distar um do outro até 340 milhões de quilômetros. Essa janela para Marte ocorre sempre nos anos ímpares.
De fato, desde 1997, quando o jipinho enviado ao solo marciano pela nave Pathfinder mostrou que a paisagem do planeta é muito parecida com a de algumas regiões da Terra, houve envio de naves em 1999 (Superveyor) e 2001 (Odyssey).
As novas missões reforçam a idéia de que a conquista definitiva de Marte com uma viagem tripulada é uma questão de tempo. Na Nasa, a agência espacial norte-americana, os mais otimistas acreditam que isso deve acontecer em 2011 ou, no máximo, em 2013. E o primeiro passo pode ter sido dado em maio, quando russos e americanos anunciaram que planejam a construção de uma estação espacial conjunta, não-tripulada, para orbitar Marte.
Mas o que pode haver de tão interessante no planeta vermelho para justificar tantas missões? Nenhum dos responsáveis admite abertamente, mas o que se esta procurando em Marte são provas, ou pelo menos evidências fortes, de que o planeta abriga ou já abrigou formas de vida. Não os populares homenzinhos verdes das séries b de televisão, mas as microbactérias capazes de suportar as condições adversas de temperaturas baixíssimas e aridez extrema que caracterizam a superfície do planeta.
A possibilidade de vida em Marte é levada a sério pelos pesquisadores. Eles não se baseiam em meras especulações, mas numa série de indícios acumulados desde as primeiras missões – as Vikings 1 e 2 – lançadas em meados dos anos 70.
Dos três experimentos programados para determinar a existência de vida em solo marciano, dois tiveram resultados positivos e um negativo. Na época, a Nasa preferiu assumir uma posição cautelosa ao divulgar esses resultados ao público – o que criou o mito de que algo estaria sendo escondido.
No entanto, a mesma Nasa decidiu criar mais tarde um instituto de astrobiologia, especializado na pesquisa de vida extraterrestre. O primeiro relatório da entidade, assinado pela equipe do respeitado cosmólogo Carl Sagam, afirmava que a procura por vida em Marte não é coisa de malucos, mas atende a uma rigorosa lógica cientifica. Segunda Sagam, Marte tem todos os elementos químicos fundamentais para a formação da vida, como oxigênio, hidrogênio, carbono e nitrogênio. A questão é descobrir se, hoje ou no passado, o planeta também teve condições climáticas favoráveis á vida, ou seja: água em estado líquido e, em algum ponto, temperaturas que permitam a atividade biológica.
PRESENTE DOS CÉUS- Uns poucos meses depois da publicação desse relatório, em 1996, um fato surpreendeu a comunidade científica internacional:a análise de um meteoro marciano mostrou ranhuras típicas da presença de carbonato e outros elementos tidos como marcas de atividade biológica. Estudos mais detalhados indicaram que elas eram possivelmente fósseis de minúsculas bactérias, que viveram há mais de 4 bilhões de anos. Embora haja discordâncias sobre esses resultados, a suspeita foi forte o suficiente para que os cientistas passassem a dedicar tempo e dinheiro para tirar a dúvida a limpo. O resultado esta nas últimas naves lançadas, para seis meses de viagem até a chegada em Marte.
Reportagem da revista Terra – julho- ano 2003.
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